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A Máquina de Fazer Espanhóis

  • Foto do escritor: Italo Aleixo
    Italo Aleixo
  • 10 de mai.
  • 2 min de leitura

Depois de perder a esposa com quem viveu a maior parte da vida, o Sr. Silva se vê confinado num lar para idosos onde será obrigado a passar o resto dos seus dias. Parece muito fácil pensar (filosofar) sobre a vida enquanto ainda temos algo para conseguir, um objetivo a conquistar ou quando ainda sentimos que fazemos parte do mundo, mas o que acontece quando o nosso tempo passa? Quando toda a sua experiência e suas realizações não pertencem mais a esse tempo e tudo que resta é esperar o corpo se desligar completamente de uma existência que não lhe diz mais respeito? É nesse tom que vão sendo contadas as histórias de Silva e dos outros moradores do asilo, o dia a dia dos personagens que não tem mais nada para fazer, mas ainda carregam dentro de si toda vontade de viver e fazer parte de algo, tão como arrependimentos e lembranças que marcaram pra sempre suas vidas.


Como narrador da obra, é o Sr. Silva quem dá voz aos sentimentos que permeiam o livro: tédio, ansiedade, angústia, medo e loucura. Dia após dia novos moradores do asilo vem e vão numa história que não parece compreender um período específico, ressaltando mais ainda como o tempo perde seu significado após toda uma vida, mas que está lá sempre presente como a ameaça da senilidade.


É difícil falar sobre A Máquina de Fazer Espanhóis, uma das obras mais conhecidas de Valter Hugo Mãe, um dos grandes nomes da literatura contemporânea mundial. É um livro que precisa ser sentido, é forte, sentimental e um tanto quanto triste, uma obra que valoriza muito a identidade nacional (Portuguesa) ao mesmo tempo que mostra como a iminência da morte pode simplesmente apagar nossa própria identidade!

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