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Duas Viagens Ao Brasil

  • Foto do escritor: Italo Aleixo
    Italo Aleixo
  • 19 de abr.
  • 2 min de leitura

Quantas culturas e nações não foram varridas para baixo do tapete da história, seja pelo extermínio por povos hostis, competição ou pela mais simples e singela passagem das eras? A única coisa que sobrevive às areias do tempo e tem a capacidade de registrar essas lembranças é a escrita. Muitos povos que não à dominaram, desapareceram imersos na ausência de informações e tiveram os poucos vestígios de sua memória apagados.


Porém, de vez enquanto a ação indireta de outros agentes: viajantes, exploradores, estudiosos e ironicamente os próprios conquistadores, acabam por imortalizar esses povos na memória, através de estórias, documentos e relatos.


O relato de Hans Staden é um dos mais instigantes testemunhos de um Brasil selvagem, uma nação ainda encerrada em seu embrião, onde povos ancestrais indígenas vagavam por florestas imponentes e singravam rios e mares, travando eternas batalhas para assegurar um território que estavam fadados a perder.


É um dos mais agradáveis “diários de viagem” que já tive o prazer de por as mãos. A narrativa, toda dedicada a Deus como agradecimento aos milagres “por ele concedidos”, não é uma ladainha religiosa, mas um verdadeiro retrato congelado do litoral brasileiro ancestral. Hans Staden concede vida à nossa natureza, ilustra as relações conturbadas entre os Europeus, e faz um competente ensaio etnográfico sobre os povos nativos que habitavam a região: discorre sobre sua distribuição e comportamento, suas táticas de batalha, arquitetura, relações sociais e hierarquia, religião e é um dos únicos relatos de uma testemunha ocular de um chocante ritual canibal tupinambá.


Findada a aventura, fica a tristeza deixada pelo desaparecimento de um povo e os rastros que o tempo esmaeceu. Hoje eu caminho ali pelo sertão de Mambucaba, por florestas e pastos, na presença de um povo pacato que se adapta à uma urbanização crescente, e nunca antes tinha me dado conta de sua história ancestral. Era exatamente ali que séculos antes, europeus assustados se escondiam em seus fortes, suportando o ataque feroz de índios guerreiros e onde rituais antropofágicos eram executados com toda sua sacralidade e imponência!

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