os frutos da terra
- Italo Aleixo
- 3 de nov. de 2023
- 2 min de leitura

Como uma semente humana lançada no Jardim do Ėden, Isak se isola da civilização para alcançar uma terra erma onde precisa se "estabelecer e multiplicar", construindo com os próprios braços aquilo que viria ser o seu lar. De maneira análoga à vegetação que se desenvolve e ocupa o campo, vemos a comunidade de Isak se expandir, com a chegada de novos moradores e com o aumento da família.
Utilizando-se de um molde narrativo universal da literatura, Frutos da Terra é um ode ao desenvolvimento e uma certa romantização do trabalho braçal, onde mostra a luta do homem contra a natureza, o surgimento de um assentamento humano que progride inexoravelmente a medida que seus personagens vão ficando pra trás.
Contrapondo outras obras, onde o conflito humano é mais tempestuoso e a natureza mais inclemente, vemos aqui uma obra idílica, um quadro do campo pintado nas suas cores mais vistosas. O avanço humano sobre a montanha é cadenciado, mas inexorável. As mazelas do dia a dia nada mais são do que meros incômodos na vida do homem, criação perfeita de Deus e fadado a dominar os elementos.
Grande destaque do livro é a miríade de personagens que povoam suas páginas. Tais quais peças de xadrez, homens e mulheres memoráveis se espalham pela montanha e desempenham funções diferentes no crescimento da região, cada qual com características e anseios próprios. Personalidades ímpares que expandem a humanidade presente no livro e várias vezes contrapõe a vida pastoral com a modernidade.
Frutos da Terra é uma obra de caráter identitário, retratando um povo em sua época, e mesmo idealista, Hamsun não falha em criar humanos reais: mesquinharia, inveja, preguiça, infidelidade, infanticídios — seria Hamsun espalhando os pecados capitais no seu Éden? — dão a esse épico suas necessárias nuances!!!
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